quinta-feira, 20 de setembro de 2012

RESENHA CRÍTICA



CIÊNCIA E RELIGIÃO, DIFERENÇAS OU SEMELHANÇAS?

 

DAWCKINS, Richard. A ciência é uma religião? [S.I.]. Filedu, 2002. Disponível em: http://www.filedu.com/rdawckinsacienciaeumareligião.html. Acesso em 10 de agosto, 16:30:30.

 

 

O eterno e tradicional confronto entre ciência e religião traz neste artigo a seguinte polêmica: A ciência é uma religião? Este foi um questionamento que fizeram a Richard Dawckins e que o impulsionou a discorrer de forma tão contundente sobre os males causados por algumas correntes religiosas.

Dawckins trata em cinco páginas e sem uma sistematização em capítulos, os polêmicos contrastes entre a fé religiosa e a razão defendida pela ciência, chegando, em algumas vezes, a ser radical quanto à forma “fantasiosa” como a religião busca dar respostas aos mais diversos enigmas da humanidade.

A palestra proferida pelo referido autor em 1996, conclui baseada em evidências verificáveis que a ciência se distancia da religião, onde a fé pode construir um muro intransponível, sem os quais não poderia explicar fenômenos que acontecem ou aconteceram no decorrer da história, não somente bíblica, mas de modo geral. Questiona-se também se a fé não seria danosa para a humanidade, visto que é fundamentado nela que os terroristas islâmicos provocam as grandes catástrofes que constantemente se veem na mídia.

Diante de vários fatos a ciência contesta a veracidade bíblica e a forma como a mesma prega que o universo fora criado. Diferente da religião, os fatos investigados e descobertos pela ciência sempre serão passíveis de verificação, de modo que várias gerações de cientistas sempre poderão confirmar a exatidão de tais descobertas. Ainda que ciência e religião operem na mesma direção, e busquem respostas para as mesmas questões, a segunda baseia-se somente na fé, o que Dawckins critica pois, segundo ele, a fé é desprovida de provas e evidências concretas.

Contesta-se também o modo como a educação religiosa é tratada em alguns países , segundo Dawckins, caracteriza-se um abuso mental o fato de a educação religiosa ser exigida por lei, e a mesma ter, segundo ele, carga horária superior à de ciências de modo que, assim, assimilar-se-á com mais êxito as teorias religiosas em detrimento das verdades científicas.

No entanto, este contexto no mínimo não se encaixa com a realidade brasileira, pois, até onde se sabe, se compararmos as horas de aulas de Ensino Religioso (1h/semana) com as de ciências (3h/semana) constataremos que a ciência é sim priorizada em nosso país, e se então somarmos com as demais ciências como Matemática (5h/semana), Química (3h/semana em algumas séries) e outras ciências, veremos que o autor falta com a verdade quando fala que na escola se prioriza a religião em detrimento do estudo da ciência.

A ciência prega que seus feitos e descobertas são passíveis de verificação, no entanto, quanto à veracidade do evolucionismo defendido pela ciência, “verificou-se que há uma chance de dez elevado a dois bilhões de zeros. Isto significa que não existe chance nenhuma” (MALAFAIA apud Schwartzemberg, 2009, p.10). Os evolucionistas, porém, afirmam categoricamente que a evolução aconteceu, mas, em um processo tão lento que não pode ser observado.

 

Perguntamos: se o que não pode ser observado e experimentado não pode ser considerado científico (inclusive esta é a razão que tem levado os cientistas a rejeitarem a revelação teológica), como os evolucionistas chegaram à conclusão de que há bilhões de anos houve uma explosão que originou o universo? [...] afinal, há bilhões de anos não havia ninguém para testemunhar essa possível explosão. Logo, a teoria evolucionista não passa de uma especulação. E, como tal, não está de acordo com os critérios de observação e experimentação estipulados pelo método científico (MALAFAIA 2009, p. 11).

 

O que se percebe, é que em alguns casos a ciência se mostra parcial quantos às suas teorias e que, de certa forma, crê nelas de forma incondicional.

O texto resenhado relata sobre o “abuso” literário praticado em escolas britânicas, onde, segundo o autor, a religião é priorizada em detrimento das verdades científicas. Trata-se também sobre os supostos males que podem ser causados pela fé incondicional. Sua leitura é mais direcionada a pessoas interessadas em ciências filosofias e religião, bem como seus contrastes.

 

Sobre o autor: Richard Dawckins é professor em Charles Simony de Compreensão Pública da Ciência da Universidade de Oxford. Seus livros incluem The Selfish Gene, The Blind Watchmaker, River Out of Eden e, mais recentemente, Climbing Mount Improbable. Este artigo foi adaptado de palestra proferida na ocasião do recebimento do prêmio Humanista do ano de 1996, da Associação Humanista Americana.

 

Autor da Resenha: Abraão de Oliveira Sousa.

REFERÊNCIA:

 

MALAFAIA, Silas. Criação x Evolução: Quem está com a verdade? Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2009.

 

 

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