A CIÊNCIA É UMA RELIGIÃO?
DAWCKINS,
Richard. A ciência é uma religião? [S.I.].
Filedu, 2002. Disponível em: http://www.filedu.com/rdawckinsacienciaeumareligião.html. Acesso em 10
de agosto, 16:30:30.
Este texto fora escrito
em resposta ao questionamento que o intitula, o mesmo discorrerá sobre os
“males da fé” que, segundo Dawckins, é o mal a ser erradicado da humanidade,
que muitas vezes se vê ameaçado por correntes religiosas que apregoam
doutrinas absurdas, chegando a levar seus fiéis ao auto martírio.
Dawckins retrata em
cinco páginas e sem divisão complexa de capítulos, um tema bastante polêmico,
questionando de forma incisiva o modo como as religiões se fundamentam na fé e
fazem da mesma um “escudo” intransponível que protege seus fiéis do “ceticismo
característico de Tomé”.
A fé é aqui tratada por
Dawckins como sendo um vício perigoso da religião, tendo em vista que é pela fé,
que, no Oriente Médio, os terroristas islâmicos se munem de bombas e
suicidam-se em prol da causa islâmica, acreditando que terão um caminho mais
curto para um suposto paraíso onde 72 virgens os aguardam. De semelhante modo,
percebe-se que alguns cientistas, por acreditarem radicalmente em suas teorias,
tendem a dogmatiza-las dando à sua ciência características da religião, mas,
com o diferencial de manipularem propositalmente os resultados dos experimentos
feitos, enquanto que a religião nem sequer se baseia em evidências palpáveis,
mas, unicamente na fé.
A religião é
predominantemente mais persuasiva que a ciência, pois oferece respostas às mais
diversas dúvidas do ser humano, munindo-se incondicionalmente da fé. Deste
modo, a ciência vem perdendo terreno, pois procura responder aos
questionamentos através de evidências concretas, e, muitas vezes, o ser humano
prefere o “ilusório” que lhe satisfaz ao concreto que desilude. Deste modo,
muitas vezes a “fé”, em determinados casos, pode ser perigosa, como no caso dos
homens-bomba, ou até mesmo nos casos em que uma pessoa descobre que a fé na
qual acredita não passa de mero charlatanismo, como já se verificou muitas
vezes nas profecias imprecisas de Nostradamus.
Semelhantemente à
religião, a ciência também se diz, segundo Dawckins, um campo cheio de
encantamento, empolgação e temor reverente – de quase adoração -, chegando a
dizer que os vislumbres proporcionados por experiências científicas se sobrepõe
aos salmos de louvor “tolos” e paroquiais. Diante de todo esse vislumbre,
chega-se até a se questionar a valorização de um feto humano que tem as
“faculdades de um verme”, em detrimento da vida de um chipanzé que pensa e
sente.
Se analisarmos mais
profundamente as diversas religiões, o que não faz o autor, descobriremos que
muitas de suas críticas não têm fundamento, pois a maioria das religiões pregam
a paz, um exemplo é o cristianismo que tem a Bíblia como principal regra de fé
e prática. Na Bíblia, mais precisamente no livro de Hebreus 12: 14 está
escrito: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor". Por tanto, insinuar que a religião mata, como faz Dawckins, transparece
que o mesmo tem pouco conhecimento sobre o assunto. O autor também demonstra
não conhecer profundamente os métodos científicos, ou no mínimo é conivente com
práticas desumanas, como utilizar prisioneiros como cobaias em testes de
vacinas levando-os a óbito, o que dizer também das bombas nucleares, um feito
científico que não representa nenhum benefício à humanidade, muito pelo
contrário, ocasionou o maior desastre de que se tem relato na história, e isto
intencionalmente. Portanto, diferentemente do que diz Dawckins, a ciência mata sim,
e, ao contrário de algumas religiões isoladas, sem nenhum motivo ilusório, tudo é arquitetado
sóbria e lucidamente por quem sabe as consequências.
Em um tom extremamente
radical e demonstrando total aversão a qualquer corrente religiosa, Dawckins, trata
em sua obra, sobre os contrastes existentes entre a ciência e a religião, bem
como os benefícios do empolgante mundo da ciência em detrimento dos “males
causados pela fé”. Sua leitura pode ser interessante aos amantes de assuntos
polêmicos como ciência, evolução e religião.
Sobre o autor: Richard Dawckins é
professor em Charles Simony de Compreensão Pública da Ciência da Universidade
de Oxford. Seus livros
incluem The Selfish Gene, The Blind Watchmaker, River Out of Eden e, mais
recentemente, Climbing Mount Improbable. Este artigo foi
adaptado de palestra proferida na ocasião do recebimento do prêmio Humanista do
ano de 1996, da Associação Humanista Americana.
Sobre
o autor da resenha: Abraão de Oliveira Sousa é professor de Ensino Fundamental da
Rede Municipal de Ensino da cidade de Santa Luzia - MA, lecionou Química
e Biologia na Rede Estadual de Ensino. Estudou Biologia no Centro Universitário
Leonardo Da Vinci - UNIASSELVI de Santa Catarina e, atualmente, é acadêmico de
Química da Universidade Estadual do Maranhão - UEMA. Cursou Teologia pela
Faculdade de Teologia Hokemah e serve a Deus como diácono da Igreja em Santa
Luzia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário