terça-feira, 16 de outubro de 2012

A CIÊNCIA É UMA RELIGIÃO?

 

DAWCKINS, Richard. A ciência é uma religião? [S.I.]. Filedu, 2002. Disponível em: http://www.filedu.com/rdawckinsacienciaeumareligião.html. Acesso em 10 de agosto, 16:30:30.

 

 

Este texto fora escrito em resposta ao questionamento que o intitula, o mesmo discorrerá sobre os “males da fé” que, segundo Dawckins, é o mal a ser erradicado da humanidade, que muitas vezes se vê ameaçado por correntes religiosas que apregoam doutrinas absurdas, chegando a levar seus fiéis ao auto martírio.

Dawckins retrata em cinco páginas e sem divisão complexa de capítulos, um tema bastante polêmico, questionando de forma incisiva o modo como as religiões se fundamentam na fé e fazem da mesma um “escudo” intransponível que protege seus fiéis do “ceticismo característico de Tomé”.

A fé é aqui tratada por Dawckins como sendo um vício perigoso da religião, tendo em vista que é pela fé, que, no Oriente Médio, os terroristas islâmicos se munem de bombas e suicidam-se em prol da causa islâmica, acreditando que terão um caminho mais curto para um suposto paraíso onde 72 virgens os aguardam. De semelhante modo, percebe-se que alguns cientistas, por acreditarem radicalmente em suas teorias, tendem a dogmatiza-las dando à sua ciência características da religião, mas, com o diferencial de manipularem propositalmente os resultados dos experimentos feitos, enquanto que a religião nem sequer se baseia em evidências palpáveis, mas, unicamente na fé.

A religião é predominantemente mais persuasiva que a ciência, pois oferece respostas às mais diversas dúvidas do ser humano, munindo-se incondicionalmente da fé. Deste modo, a ciência vem perdendo terreno, pois procura responder aos questionamentos através de evidências concretas, e, muitas vezes, o ser humano prefere o “ilusório” que lhe satisfaz ao concreto que desilude. Deste modo, muitas vezes a “fé”, em determinados casos, pode ser perigosa, como no caso dos homens-bomba, ou até mesmo nos casos em que uma pessoa descobre que a fé na qual acredita não passa de mero charlatanismo, como já se verificou muitas vezes nas profecias imprecisas de Nostradamus.

Semelhantemente à religião, a ciência também se diz, segundo Dawckins, um campo cheio de encantamento, empolgação e temor reverente – de quase adoração -, chegando a dizer que os vislumbres proporcionados por experiências científicas se sobrepõe aos salmos de louvor “tolos” e paroquiais. Diante de todo esse vislumbre, chega-se até a se questionar a valorização de um feto humano que tem as “faculdades de um verme”, em detrimento da vida de um chipanzé que pensa e sente.

Se analisarmos mais profundamente as diversas religiões, o que não faz o autor, descobriremos que muitas de suas críticas não têm fundamento, pois a maioria das religiões pregam a paz, um exemplo é o cristianismo que tem a Bíblia como principal regra de fé e prática. Na Bíblia, mais precisamente no livro de Hebreus 12: 14 está escrito: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor". Por tanto, insinuar que a religião mata, como faz Dawckins, transparece que o mesmo tem pouco conhecimento sobre o assunto. O autor também demonstra não conhecer profundamente os métodos científicos, ou no mínimo é conivente com práticas desumanas, como utilizar prisioneiros como cobaias em testes de vacinas levando-os a óbito, o que dizer também das bombas nucleares, um feito científico que não representa nenhum benefício à humanidade, muito pelo contrário, ocasionou o maior desastre de que se tem relato na história, e isto intencionalmente. Portanto, diferentemente do que diz Dawckins, a ciência mata sim, e, ao contrário de algumas religiões isoladas,  sem nenhum motivo ilusório, tudo é arquitetado sóbria e lucidamente por quem sabe as consequências.

Em um tom extremamente radical e demonstrando total aversão a qualquer corrente religiosa, Dawckins, trata em sua obra, sobre os contrastes existentes entre a ciência e a religião, bem como os benefícios do empolgante mundo da ciência em detrimento dos “males causados pela fé”. Sua leitura pode ser interessante aos amantes de assuntos polêmicos como ciência, evolução e religião.

 

Sobre o autor: Richard Dawckins é professor em Charles Simony de Compreensão Pública da Ciência da Universidade de Oxford. Seus livros incluem The Selfish Gene, The Blind Watchmaker, River Out of Eden e, mais recentemente, Climbing Mount Improbable. Este artigo foi adaptado de palestra proferida na ocasião do recebimento do prêmio Humanista do ano de 1996, da Associação Humanista Americana.

 

 

Sobre o autor da resenha: Abraão de Oliveira Sousa é professor de Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino da cidade de Santa Luzia - MA, lecionou Química e Biologia na Rede Estadual de Ensino. Estudou Biologia no Centro Universitário Leonardo Da Vinci - UNIASSELVI de Santa Catarina e, atualmente, é acadêmico de Química da Universidade Estadual do Maranhão - UEMA. Cursou Teologia pela Faculdade de Teologia Hokemah e serve a Deus como diácono da Igreja em Santa Luzia.

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